GREEN GOD
 
GREEN GOD
 
Trazia consigo a graça
Das fontes quando anoitece
Era um corpo como um rio
Em sereno desafio,
Como as margens quando desce
Andava como quem passa
Sem ter tempo para parar.
Ervas nasciam dos passos,
Cresciam troncos nos braços
Quando os erguia no ar.
Sorria como quem dança
E desfolhava ao dançar.
O corpo que lhe tremia
Num ritmo que ele sabia
Que os deuses devem usar
E seguia o seu caminho,
Porque era um deus que passava
Alheio a tudo que via,
Enleado na melodia
De uma flauta que tocava.

Eugênio de Andrade
 
 

 

 
 
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