ALEGRES CAMPOS, VERDES ARVOREDOS
 
 
Alegres campos, verdes arvoredos,
Claras e frescas águas de cristal,
Que em vós os debuxais ao natural,
Discorrendo da altura dos rochedos.
Silvestres montes, ásperos penedos,
Compostos em concerto desigual;
Sabei que, sem licença de meu mal,
Já não podeis fazer meus olhos ledos.
E, pois me já não vedes como vistes,
Não me alegram verduras deleitosas
Nem águas que correndo alegres vêm.
Semearei em vós lembranças tristes
Renegando-vos com lágrimas saudosas,
E nascerão saudades de meu bem.

L. V. de Camões

 

 
 
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