EU


EU


Até agora eu não me conhecia
Julgava que era Eu e eu não era
Aquela que em meus versos descrevera
Tão clara como a fonte e como o dia.
 
Mas que eu não era Eu não o sabia
E, mesmo que o soubesse, o não dissera...
Olhos fitos em rútila quimera
Andava atrás de mim... e não me via!
 
Andava a procurar-me, pobre louca!
E achei o meu olhar no teu olhar.
E a minha boca sobre a tua boca!
 
E esta ânsia de viver, que nada acalma;
É a chama da tua alma a esbrasear
As apagadas cinzas da minha alma!


Florbela Espanca

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