MEDO DE AMAR

 

MEDO DE AMAR

 

O céu está parado, não conta nenhum segredo
A estrada está parada, não leva a nenhum lugar.
A areia do tempo escorre de entre meus dedos
Ai que medo de amar!
MEDO DE AMAR

O sol põe em relevo todas as coisas que não pensam
Entre elas e eu, que imenso abismo secular...
As pessoas passam, não ouvem os gritos do meu silêncio
Ai que medo de amar!

MEDO DE AMAR

Uma mulher me olha, em seu olhar há tanto enlevo
Tanta promessa de amor, tanto carinho para dar
Eu me ponho a soluçar, por dentro, meu rosto está seco
Ai que medo de amar!

MEDO DE AMAR

Dão-me uma rosa, aspiro fundo em seu recesso
E parto a cantar canções, sou um patético jogral
Mas viver me dói tanto! E eu hesito, estremeço...
Ai que medo de amar!

MEDO DE AMAR

E assim me encontro: entro em crepúsculo, entardeço
Sou como a última sombra se estendendo sobre o mar
Ah! Amor, meu tormento! Como por ti padeço...
Ai que medo de amar!


Vinícius de Moraes

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MEDO DE AMAR

 

 
 
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