O TEU RISO
O TEU RISO
Tira-me o pão, se quiseres,
Tira-me o ar, mas não
Me tires o teu riso...
O TEU RISO
Não me tires a rosa,
A lança que desfolhas,
A água que de súbito
Brota da tua alegria.
A repentina onda de prata
Que em ti nasce.
O TEU RISO
A minha luta é dura e regresso
Com os olhos cansados
Ás vezes por ver
Que a terra não muda,
Mas ao entrar teu riso
Sobe ao céu a procurar-me
E abre-me todas
As portas da vida.
O TEU RISO
Meu amor, nos momentos
Mais escuros solta
O teu riso e se de súbito
Vires que o mundo sangue mancha
As pedras da rua,
Ri, porque o teu riso
Será para as minhas mãos
Como uma espada fresca.
O TEU RISO
À beira do mar, no outono.
Teu riso deve erguer
Sua cascata de espuma,
E na primavera, amor,
Quero teu riso como
A flor azul, a rosa
Da minha pátria sonora.
O TEU RISO
Ri-te da noite,
Do dia, da lua.
Ri-te das ruas
Tortas da ilha.
Ri-te deste grosseiro
Rapaz que te ama,
Mas quando abro
Os olhos e os fecho,
Quando meus passos vão,
Quando voltam meus passos,
Nega-me o pão, o ar,
A luz, a primavera,
Mas nunca o teu riso,
Porque então morreria.

Pablo Neruda

Gráficos de : http://www.artistic-designers.com/bkgds

O TEU RISO

 

 
 
RESPEITE OS DIREITOS AUTORAIS !
Não é permitida, sem prévia autorização,
a reprodução desta página.

Obrigada !
WebDesign : Angela Cecilia