POEMA 10
 
POEMA 10
 
Perderemos outra vez este crepúsculo
Ninguém nos viu de mãos dadas esta tarde,
Enquanto a noite azul caía sobre o mundo.
Vi, da minha janela,
A festa do poente nas colinas distantes
Às vezes, como uma moeda
Se acendia um pedaço de sol entre minhas mãos.
E eu te recordava com a alma encolhida
Por essa tristeza que tu em mim conheces.
Então, onde estavas?
Entre qual gente?
Dizendo que palavra?
Por que é que o amor me vem assim de golpe
Quando me sinto triste e te sinto distante?
Caiu o livro que sempre se toma no crepúsculo
E, como um cão ferido, tombou a meus pés sua capa.
Sempre, sempre te afastas pelas tardes
Para onde o crepúsculo corre apagando estátuas.


Pablo Neruda

Imagem de http://www_geocities_com-Wellesley-5087


POEMA 10

 

 
 
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