SONETO
SONETO

Aurora morta, foge! Eu busco a virgem louca
Que fugiu-me do peito ao teu clarão de morte
E Ela era a minha estrela, o meu único Norte,
O grande Sol de afeto - o Sol que as almas doura!

SONETO
Fugiu... e em si a Luz consoladora
Do amor - esse clarão eterno d'alma forte -
Astro da minha Paz, Sírius da minha sorte
E da Noute da vida a Vênus Redentora.
SONETO
Agora, oh! Minha Mágoa, agita as tuas asas,
Vem! Rasga deste peito as nebulosas gazas
E, num Pálio auroral de Luz deslumbradora.
SONETO
Ascende à Claridade. Adeus oh! Dia escuro.
Dia do meu Passado! Irrompe, meu Futuro;
Aurora morta, foge - eu busco a virgem loura!


Augusto dos Anjos

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