SONETO 90
 
SONETO 90
 
Odeia-me, portanto; agora, se é preciso;
Agora, em tudo, o mundo insiste em contrariar-me.
Não me causes mais tarde um súbito prejuízo,
Une-te logo à sorte cruel, vem humilhar-me.
Quando minh'alma houver fugido ao meu tormento,
Não surjas no último escalão de dor vencida:
Não dês manhã de chuva à noite com seu vento,
A fim de prolongar derrota decidida
Se me deixares, não me deixes só no fim,
Quando se houver cumprido tanta dor menor;
Vem no primeiro ataque; eu sofrerei assim,
De pleno, o que a fortuna oferecer de pior
E outras formas de dor, que ora parecem dor,
Junto de tua perda não terão cor.
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Trabalho de Amor Perdido
Mas o amor, primeiro aprendido em uns olhos de mulher
Não vive sozinho fechado na cabeça,
Mas, com a rapidez de nossos pensamentos
E dá a cada faculdade dupla potência,
Acima de suas funções e seus ofícios;
Acrescenta preciosa visão aos olhos;
Os olhos de um amante vêem mais longe que uma águia,
Os ouvidos de um amante ouvem o mais tênue som,
Que passa despercebido ao ladrão cauteloso.
O tato do amor é mais fino e sensível
Que as sensitivas antenas do caracol;
Ao paladar do amor desagradam os petiscos vulgares de Baco.
Pela coragem, não é o amor um Hércules,
Ainda galgando as árvores nas Hespérides ?
Sutil como a Esfinge; doce e musical,
Como o alaúde do brilhante Apolo
Encorcovado com seus cabelos,
E quando o Amor fala, a voz de todos os deuses
Deixa os céus estonteados com a harmonia
Nunca deve o poeta tocar uma pena para escrever AMOR.

W. Sheakespeare

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