SONETO DE AMOR
 
SONETO DE AMOR
 
Talvez não ser é ser sem que tu sejas,
Sem que vás cortando o meio-dia
Como uma flor azul, sem que caminhas
Mais tarde pela névoa e os ladrilhos.
SONETO DE AMOR
Sem essa luz que levas na mão
Que talvez outros não verão dourada,
Que talvez ninguém soube que crescia
Como a origem rubra da rosa.
SONETO DE AMOR
Sem que sejas, enfim, sem que viesses
Brusca, incessante, conhecer minha vida,
Aragem de roseira, trigo do vento.
SONETO DE AMOR
E desde então sou porque tu és,
E desde então és, sou e somos
E por amor serei, serás, seremos.


Pablo Neruda

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SONETO DE AMOR

 

 
 
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